"Antes que ela voltasse a si, ele beijara seu rosto sedoso, úmido de lágrimas salgadas e de chuva de verão. Devon queria beijá-la de novo, por todo o corpo, por horas. Ele a desejava nua e exausta em seus braços. Depois de todas as suas experiências, o prazer físico perdera qualquer traço de novidade, mas naquele momento ele queria Kathleen Ravenel de um modo que o estava deixando chocado."
Olá, leitores!
Hoje vim conversar com vocês sobre minha 5ª leitura do ano, o livro "Um Sedutor Sem Coração", da Lisa Kleypas, uma das minhas autoras preferidas de romances de época. Esse livro é o primeiro da série Os Ravenels, que já possui todos os seus 6 volumes publicados pela Editora Arqueiro.
Nesse primeiro volume, conhecemos Devon Ravenel, o libertino mais maliciosamente charmoso de Londres, que acabou de herdar um condado. Só que a nova posição de poder traz muitas responsabilidades indesejadas, além de algumas surpresas, pois a propriedade está afundada em dívidas e as três inocentes irmãs mais novas do antigo conde (Helen, Pandora e Cassandra), agora falecido, ainda estão ocupando a casa.
Junto com elas vive Kathleen, a bela e jovem viúva de Theo, dona de uma inteligência e uma determinação que só se comparam às do próprio Devon. Porém, assim que o conhece, Kathleen percebe que não deve confiar em um cafajeste como ele. Mas a ardente atração que logo nasce entre os dois é impossível de negar.
"- Nunca peça desculpas a uma mulher. Isso só confirma que você está errado e a deixa ainda mais irritada."
O que achei:
Assim como em grande parte dos romances de época, nós temos aqui um enredo previsível. Porém, até chegarmos ao final do livro, muitas surpresas aparecem e já adianto que gostei muito da leitura.
A relação de Devon e Kathleen é a típica briga de gato e rato. Eles já começam o livro com uma péssima impressão um do outro, que ora se dissipa, ora fica cheia de tensão, principalmente porque ambos são teimosos e têm personalidades e ideias fortes e próprias. Gostei bastante dos dois, por mais que muitos tenham considerado Kathleen uma personagem chata, já que ela se apega com veemência aos costumes da época, se tornando quase uma matrona mal-humorada. Ela também possui algumas falas problemáticas sobre outras mulheres. Porém, para mim, foi um comportamento bastante compreensivo, não só pela época retratada no livro, mas também pela situação na qual ela se encontrava, tendo responsabilidade pelas cunhadas e a um passo de perder sua residência.
Os personagens secundários aparecem com frequência e são muito bem elaborados, desde aqueles que têm forte ligação com os protagonistas, como West, irmão de Devon, e as cunhadas Helen, a mais velha, juntamente com as gêmeas, Cassandra e Pandora, até os criados, como Quincy e Clara, passando pelo melhor amigo de Devon, Winterborne. Todos eles acrescentam muito à trama e alguns trazem até um certo alívio cômico com suas falas espirituosas. Não gostei das gêmeas, que são claramente muito infantis, o que me irrita bastante em personagens... Mas espero que elas amadureçam ao longo da série.
"- E você pode até ter alguns defeitos, mas ser difícil de amar não é um deles."
Por falar em Winterborne, ele é um dos personagens que menos gostei nesse livro e, conforme o título do romance seguinte, sei que ele virá como protagonista. O amigo tem falas e comportamentos muito estúpidos e machistas. Ele aparece pela primeira vez em uma reviravolta de tirar o fôlego, onde um acidente marca um novo ciclo na vida de todos os personagens. Embora a gente vá conhecer mais a fundo a relação dele e de sua companheira no próximo livro, já é possível aqui saber um pouquinho sobre como tudo começa, visto que ambos possuem capítulos só para si e isso é muito interessante, pois no fundo me fez criar simpatia com o personagem e a perceber que existe algum fator por trás de seu comportamento arisco.
Uma das coisas que mais me chamou a atenção na trama é que a relação dos casais nos livros de romance de época geralmente acontecem após uma relação ou um arranjo feito às pressas, como o casamento arranjado ou qualquer outro acordo. Aqui, os dois se envolvem, inclusive sexualmente, sem as amarras desses padrões da época, para o horror da certinha Kathleen. Além disso, ela, apesar de recatada com relação aos costumes, se mostra muito a frente do seu tempo ao determinar os padrões do relacionamento de ambos: as coisas devem acontecer quando ela quiser e estiver disposta, não o contrário. Esse arranjo me deixou muito feliz com a personagem!
As cenas quentes são quentes mesmo, talvez as mais intensas que eu tenha visto em romances do gênero. Mas a entrega de ambos é tão forte, bonita e cheia de significados que é impossível não torcer por eles, pois eles têm muita química!
"(...) Com o homem certo, beijar é maravilhoso. É como ter um sonho longo e doce."
No mais, embora hajam algumas falas machistas aqui e ali (como era ditado pela própria época e, ao meu ver, não deve ser problematizado, mas algo para se refletir), foi uma leitura muito prazerosa e as linhas finais já deixam aquela saudade da família e a vontade de sair correndo para o próximo livro da série. Minha nota para ele foi 4 estrelas!
Seguem algumas das quotes que mais amei no livro (e são muitas, tantas que nem seu pra colocar todas aqui no post):
- "(...) - Na minha opinião, as lágrimas de uma mulher são manipuladoras e, pior, nada atraentes."
- "'Dominem suas emoções', sempre aconselhara ela, 'ou com certeza elas irão dominá-las'"
- "- Sempre escolha o poder. O dinheiro pode ser roubado ou perder valor, e não lhe sobrará nada. Com poder, sempre pode conseguir mais dinheiro."
- "(...) quem disse que o riso era o melhor remédio nunca havia fraturado uma costela."
- "- Há momentos na vida em que todos temos que suportar o insuportável."
- "- Acredito que todo homem deve se vestir da melhor forma que puder."
- "- Muitas vezes o empenho garante melhores resultados do que o talento por si só (...)"
- "(...) Como eu conseguiria levar outra mulher para a cama? Pela manhã, eu ainda despertaria querendo você."
- "- Esse é o resultado de ler romances demais. Uma história não precisa de um final. Não é isso que importa."
- "Não se comparavam em nada a Helen, cuja discrição era misteriosa e sedutora. Ela era como uma concha de madrepérola, que à primeira vista tem apenas uma cor, mas que, observada de outros ângulos, revela cintilações delicadas de lavanda, rosa, azul, verde. Um lindo exterior que demonstra pouco de sua verdadeira natureza."
- "- O desejo sempre é uma motivação melhor do que o medo (...)"
- "- Amar uma única pessoa no mundo não é romântico - explicou Devon -, não é amor."
- "- Não se pode permitir que um homem faça as coisas a seu modo o tempo todo."
E vocês, gostam de romances de época tanto quanto eu?
Um grande beijo a todos e até a próxima!

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